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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Homossexualismo: Nasci gay, sou feliz e dai?


Proctologista: Dr. Paulo Branco
www.medicinaintegrada.med.br
blog da saúde gay

Homossexualismo: Será que alguém já nasce gay, e dai se for?

- E se for, qual o problema?
É compreensível que os pais queiram que seus filhos sejam pessoas saudáveis e realizadas – e, consequentemente que se preocupem com o tipo de relações amorosas nas quais se envolverão quando adultos. Hoje se sabe, porém, que a orientação sexual não é garantia se sucesso ou felicidade. O que parece fazer diferença, realmente, é a qualidade dos vínculos afetivos que uma pessoa mantém e o quanto se sente confortável com sua capacidade produtiva nas várias áreas da vida. Nesse sentido, a proximidade e o apoio das pessoas queridas se mostram muito mas importantes que a orientação em si. Ou seja: ter lugar nos diferentes grupos de referência ( Família, trabalho e amigos) fortalece o sentimento de pertencente, fundamental para o bem-estar emocional e até mesmo físico. Em geral, quando alguém se sente aceito como é pelos mas queridos , o eventual enfrentamento de qualquer tilo e discriminação se trona muito menos doloroso. Independentemente do sexo e da idade, cada pessoa faz um balanço inconsciente entre a possível resistência que poderá encontrar em alguns de seus círculos sociais e o apoio que encontrará em outros.
Algumas pesquisas recentes sugerem que homens e mulheres que assumem a orientação homoafetiva publicamente apresentam um aumento da autoestima e redução do risco de e redução do risco de depressão e de suicídio. Mas nem sempre é o que acontece, segundo alguns psicólogos. Psicólogos da universidade de Essex constataram que o bem-estar em afirmar a própria sexualidade depende do contexto social em que a pesos está inserida.
Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores entrevistaram 161 homossexuais de ambos os sexos e bissexuais com idade entre  18 e 65 anos sobre o nível de bem-estar que sentiram em afirmar sua orientação em cinco círculos sociais: amigos, parentes, colegas companheiros de escola e comunidades religiosas. Os participantes, recrutados em debates públicos pelos direitos dos homossexuais, em redes sociais e em listas de e-mail  de estudantes universitários, responderam aos pesquisadores por meio da internet e de forma anônima.

Comentário: Seria muito mais interessante e reconfortante para as famílias se os pais tivessem em mente que filhos homossexuais obviamente têm muitas maneiras de contribuir com o mundo além de se reproduzir.

- Será que já nasce gay?
Mesmo esclarecidos e bem informados são raros os pais e mães que não se preocupam quando o comportamento de suas crianças foge aos estereótipos de normalidade. Meninos com jeito delicado de andar, interesse por bonecas, maquiagem e vestidos, aversão por jogos e esportes que exijam contato físico com outros garotos costumam incomodar os adultos. O mesmo se da comas garotas que desprezam as bonecas, odeiam rendas e vestidos, preferem participar de brincadeiras consideradas masculinas, nutrem especial interesse por ferramentas e têm coragem de afrontar os meninos chamando-os para a briga. Esses padrões de comportamento são frequentemente temidos, como se fossem mensageiros certos de homossexualidade na idade adulta. Apenas recentemente cientistas especializados no estudo das fases do desenvolvimento humano têm realizado estudos mais categóricos para identificar de forma confiável os primeiros sinais  da orientação homoafetiva. Ao olharem atentamente para a infância de pessoas gays, alguns grupos de pesquisadores têm se esforçado para encontrar e catalogar um intrigante conjunto de indicadores comportamentais que homossexuais parecem ter em comum. O mais curioso é a constatação de que os antigos medos homofóbicos de muitos pais refletem de forma genuína o curso das previsões que fazem em relação aos filhos.

- Características Homossexuais na infância, quais seriam?
Os psicólogos investigaram os comportamentos típicos esperados para cada gênero, em cada época da vida. Segundo essa concepção, seriam diferenças inatas referentes ao modo de agir de moças e rapazes.
De acordo com vários estudos, cada vez mais os cientistas têm chegado à conclusão de que a orientação sexual não é influenciada pela aprendizagem, sendo encontrada em todas as culturas pesquisadas. É claro que existem exceções; no entanto, apenas quando são comparadas os dados em conjunto as distinções sexuais ficam mais evidentes e ganham valor estatístico.
As divergências mais marcantes estão sob o domínio das brincadeiras infantis. Os meninos se engajam nos chamados “jogos de combate e queda”. Já as meninas preferem a companhia de miniaturas de objetos domésticos ao risco de levar um chute nas costelas. O interesse pelo tipo de brinquedo seria outra pista para identificar diferenças entre os sexos: Enquanto os meninos são fortemente atraídos pelas armas de brinquedo, carrinhos e caminhões de guerra, as garotas não resistem às bonecas e acessórios femininos.
Crianças de ambos os sexos se divertem simulando algumas brincadeiras, mas os papéis, no contexto da fantasia, são desempenhados de acordo com cada gênero. A partis dos 2 anos, há uma verdadeira segregação entre os pequenos. Elas costumam fazer o papel da mãe que canta para seu filhinho, de bailarinas ou de princesas de contos de fadas, enquanto os meninos preferem ser soldados ou super-heróis. Portanto, não é surpreendente o fato de que os garotos escolham outros meninos como parceiros, ao passo que, para as garotas, seria muito mais interessante brincar com outras garotas.
Desse modo, com base em algumas pesquisas anteriores menos fidedignas, aliadas a uma boa dose de senso comum, Bailey e Zuker lançaram a hipótese de que homossexuais mostrariam um padrão invertido dos comportamentos esperados durante a infância: os meninos preferindo as meninas como companheiras de brincadeira, encantados com o Kit de maquiagem da mãe, e as garotas apaixonadas por futebol ou luta livre, por exemplo. Eles descobriram que o que acontece na prática é muito distante desta suspeita. Com base no conhecimento  empírico, ou seja, na experiência, os autores explicam que há duas maneiras de investigar essa hipótese: o estudo prospectivo e o retrospectivo.

1- Estudo Prospectivo:
Consiste em observar as crianças que exibem padrões de comportamento atípicos em relação ao gênero durante a adolescência e no início da fase adulta, para que sua orientação sexual possa ser avaliada na maturidade.  No entanto, por diversas razões  este método não foi muito adotado. Dado que apenas parte da população é homossexual, estudos prospectivos não são viáveis por demandar um grande numero de crianças. A abordagem também leva um longo tempo – cerca de 16 anos. Além disso, não há uma quantidade grande de pais dispostos a oferecer o filho como objeto de  estudo. Por fim, geralmente apenas crianças que apresentam comportamento significante atípicos em relação ao gênero são trazidas às clinicas pelos pais quer podem aceitar colaborar com os pesquisadores.
Em um estudo de 2008, a psicóloga Kelley Drummond coordenou uma equipe de pesquisadores encarregados de entrevistar 25 mulheres adultas entre 3 e 12 anos de idade haviam passado por avalição psicológica a pedido dos seus pais. Na época, todos demonstraram indicadores do diagnostico de TRANTORNO DE IDENTIDADE DE GENERO  ( a desconfortável sensação de que o seu sexo biológico não corresponde ao seu modo de ser). Elas preferiram parceiros de brincadeiras do sexo masculino, insistiam em vestir roupas de meninos, gostavam de atividades agressivas, e várias afirmavam não só que desenvolveriam um pênis quando crescessem, mas também se recusavam a urinar sentadas. Embora somente 12% delas tivessem, de fato, desenvolvido o transtorno de identidade de gênero, a probabilidade de que as mulheres relatem orientação homossexual ou bissexual é 23 vezes maior que a população feminina em geral. É evidente que nem todas as garotas que tem comportamentos considerados tipicamente masculinos serão lesbicas. No entanto, as pesquisas sugerem que mulheres homossexuais, frequentemente, têm historia de comportamentos atípicos em relação ao gênero feminino durante a infância. E o mesmo vale para os homnes. Bailey e Zuker conduziram um estudo – desta vez retrospectivo – com voluntários, todos homossexuais escolhidos aleatoriamente, que deveriam responder perguntas sobre o próprio passado. Os resultados mostraram que 89% dos pacientes se lembraram de terem comportamentos  considerados femininos durante a infância, com frequência superior à média heterossexual.
Alguns estudiosos, entretanto, argumentam que a memória dos participantes pode ter sido distorcida como uma forma de atender as expectativas sociais e aos estereótipos. No entanto, um estudo na área de psicologia do desenvolvimento publicado em 2008 mostra evidencias – como vídeos caseiros, por exemplo – que validam a análise de acontecimentos passados. O fato é que, sem muito discernimento, os adultos tentam decifrar a criança observando seus comportamentos. Os pesquisadores constataram que, de fato, as características que na fase adulta identificam as pessoas como homossexuais foram consideradas destoantes do gênero na época em que elas ainda eram crianças.
Vários estudos têm demonstrado este padrão geral, revelando uma forte ligação entre os desvios das normas de gênero em relação aos papéis na infância e a orientação sexual adulta. Há também evidências de um efeito de dosagem: quanto mais características diferentes se apresentam do que se espera de determinado sexo durante a infância, maiores são as possibilidades de uma orientação homossexual ou bissexual na vida adulta.
Entretanto, obviamente nem todos os meninos que tenham provado vestido quando eram pequenos serão gays, assim como nem todas as garotas que desprezam roupas femininas se tornarão lesbicas. Muitos serão heterossexuais e talvez alguns se tornem transexuais. No entanto, muitas vezes, na infância e adolescência a criança ou o jovem se mostram claramente socializados de acordo com as normas de cada gênero e só mais tarde apresentam interesse por pessoas do mesmo sexo. Essas constatações podem parecer contraditórias à primeira vista, mas só evidenciam o óbvio: não há normas claras nem receita para definir a orientação sexual de uma pessoa. No entanto, alguns experimentos apontam indícios. Estudos transculturais revelam que meninos com tendências homossexuais são mais atraídos por esportes solitários, como ciclismo, natação e tênis, que por atividades que envolvam contato bruto. Além disso, são menos propensos a serem “valentões” na infância.

- E O SABER ANTES?
Os pesquisadores admitem que uma grande variedade de fatores, sem dúvida complexos, interfere no desenvolvimento da sexualidade. Eles acreditam que aspectos hereditários e biológicos devam compor com experiências e influencias do ambiente para produzir a orientação sexual – qualquer que seja ela. Traços homossexuais precoces muito evidentes, ou seja, crianças que mostram acentuados comportamentos considerados rápidos, podem ter maior carga genética que contribua para a orientação homoafetiva. Por outro lado, adultos gays que tiveram comportamentos típicos de acordo com o gênero quando crianças podem atribuir o interesse por pessoas do mesmo sexo mais diretamente às experiências que viveram na infância.
Então chegamos à pergunta mais importante de todas.

- POR QUE OS PAIS SE PREOCUPAM TANTO EM SABER SE OS FILHOS TÊM PROPENÇÃO PARA SER GAY?
  De fato, parece bem difícil encontrar pessoas que realmente prefeririam que seus descendentes fossem homossexuais. Evolutivamente, a homofobia dos pais é facilmente entendida: gays e lésbicas, a principio, não poderiam perpetuar a espécie. Embora com os avanços tecnológicos e sociais essa situação atualmente já não se sustenta, a ideia persiste.
Com certeza seria muito mais reconfortante para as famílias se os pais tivessem em mente que filhos homossexuais obviamente têm outras maneiras de contribuir com o mundo além de se reproduzir. Se os cientistas pudessem, eventualmente, prever com precisão a orientação sexual de adultos quando ainda pequenos, os pais iriam querer saber? Depende. Certamente alguns cuidados por parte dos adultos poderiam facilitar as coisas para a criança, poupando-lhe o desgaste de temer constantemente ser rejeitada ou ter de se preocupar com alguns deslizes que a pudesse expor. Evitariam, ao menos, as difíceis e incessantes perguntas durante a adolescência sobre o motivo de não estar namorando aquele ou aquela para os rapazes, adorável  colega do sexo oposto.
Além do mais, imagino que deva ser muito difícil olhar nos olhos do seu filho, quando criança, niná-lo até que durma em seus braços, passar a mão no seu rosto para tirar o excesso de chocolate da sobremesa que ficou no canto de seus lábios e, alguns anos depois, manda-lo para fora de casa por ser homossexual.

Muitos gays e lésbicas contam que descobriram sua preferência pelo mesmo sexo  ainda na infância. As pesquisas estão mostrando que isso provavelmente é verdade, à medida que se acumulam as evidencias de que a orientação sexual não é nem uma tendência determinada pelo triplo de criação recebida. É algo que já nasce com a pessoa.
Em um estudo recente, exames mostraram que o cérebro dos homens gays é semelhante ao dos heterossexuais, enquanto o das lesbicas se parece com os heterossexuais masculinos. As características cerebrais investigadas desenvolvem-se no útero ou na primeira infância, o que significa que a influência de fatores psicológicos ou ambientais é mínima ou inexistente, afirmam os pesquisadores do Instituto do cérebro de Estocolmo, na Suécia.
Os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética para obter o cérebro de 90 voluntários:25 homossexuais e 20 heterossexuais de cada sexo. Descobriu-se que os homens heterossexuais e as lesbicas apresentavam cérebro assimétrico; isto é, o hemisfério cerebral direito era maior do que o esquerdo. Já o cérebro das mulheres heterossexuais e dos homens gays era simétrico.
Em seguida a equipe usou a tomografia por emissão de pósitrons para medir o fluxo de sangue a uma área cerebral chamada de amígdala que é a sede das emoções, do medo e da agressividade. Para minimizar influencias externas e culturais os cérebros foram examinados em repouso e não foral exibidas fotografias aos participantes e nem foi introduzido nenhum comportamento que pudesse haver sido apreendido. Nesse exame observou-se  que nos gays e nas heterossexuais, o sangue flui para áreas envolvidas com o medo  e a ansiedade.



A orientação sexual genética?
A questão permanece em aberto. E se os gens estiverem mesmo envolvidos, será que eles produzem dois tipos distintos de orientação,  hetero e homossexual, da forma como acredita a maioria das pessoas?

E onde se encaixa a bissexualidade?
Embora nenhuma pesquisa seja totalmente conclusiva, estudos de gêmeos criados juntos, criados separados arvores genealógicas indicam pelo menos para os homens que quanto maior o numero de genes em comum com um parente gay, maiores serão as chances de você ser um homossexual também.
Mas nenhum progresso da ciência irá resolver as questões morais e filosóficas em torno da orientação sexual, afirmam os estudiosos da sexualidade humana. É enorme a pressão exercida sobre nós, desde muito cedo, para que sejamos heterossexuais. Além disso, existem grupos religiosos que afirmam que os gays podem mudar de orientação se estiverem determinados a isso. Embora isso seja verdade para alguns, os especialistas dizem que a maioria deles não pode fazer essa mudança e, ainda que pudesse, não se sentiria bem com isso.

Obs. Estes artigos estão escritos na revista SCIENTIFIC AMERICAN: Mente/cérebro na edição de outubro de 2012 que eu achei de grande interesse para o publico GLBT.

Homossexualismo: Preconceito e rejeição que machucam


Proctologista: Dr. Paulo Branco
blog da saúde gay

Homossexualismo: Rejeição e Preconceito machucam demais.

- Rejeição que fere
Preconceito machuca, mesmo quando não culmina em violência física. Quando nos sentimos excluídos ou menosprezados o cérebro reage como se o corpo sentisse dor. Até episódios rápidos de rejeição envolvendo estranhos ou pessoas de quem não gostamos ativam centros cerebrais, causando sensações dolorosas, tristeza, indignação, aumentando o estresse e prejudicando o autocontrole daquele que o sofre. Independentemente de com ( e por qualquer razão) a pessoas foi ignorada ou menosprezada, sua resposta é imediata e violenta – o desconforto é entendido pelo sistema cerebral como agressão. Todos nós sentimos esse desconforto, independentemente de sermos mais ou menos sensíveis a este tipo de situação. No entanto, características da personalidade certamente influenciam a forma como administramos essa situação, determinando se nos recuperamos rapidamente ou remoemos o episódio por muito tempo; se tentamos restabelecer relacionamentos sociais ou se nos zangamos seriamente – e cortamos vínculos.
Estudos desenvolvidos pelo doutor em psicologia K.D.Willians, professor da universidade Perdue, revelaram recentemente que mesmo quando ocorre de forma sutil, a EXCLUSÃO – que poderia em um primeiro momento ser considerada completamente irrelevante – desencadeia intensas reações: podemos nos sentir péssimos apenas porque pessoas que nunca vimos simplesmente nos veem de forma pejorativa. Essa reação tem a função de avisar que alguma coisa está errada, que existe uma séria ameaça ao bem está social e emocional. Alguns psicólogos, argumentavam em um artigo publicado em 1995, que sentir-se aceito é uma necessidade – não um desejo ou uma preferência – e que sentir-se aceito é uma necessidade – não um desejo ou uma preferência – e que quando frustrada, leva a doenças físicas e psíquicas.

- Preconceito: Uma ameaça social
A psicóloga caracteriza o preconceito como a presença profundamente arraigada de associações, em geral negativas, vinculadas a situações e pessoas de cultura, etnias, aparência, preferencias, hábitos, origem, crenças ou outras características diferente dos nossos. Embora a sensação despertada por esse encontro com o diferente nem sempre seja precisa, quando bem fundamentada em experiências, os preconceitos podem até ser uteis, uma vez que os conteúdos aprendidos ao longo da vida nos poupam da árdua tarefa de encontrar maneiras de ligar como novo a cada momento – algo que seria mentalmente muito desgastante. Contudo, alguns julgamentos não são baseados em experiências, mas apenas em valores pessoais que não necessariamente correspondem à realidade; são fundamentados em temores injustificados, doutrinas arbitrarias, dogmas religiosos ou políticos segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Esses segundo ela, são os pré-conceitos preconceituosos. E infelizmente não faltam exemplos.
Vários estudos evidenciam que todo ser humano nutre várias reservas ao que não conhece como próximo e age de acordo com elas. Nesse contesto, a violência praticada contra adeptos de outros credos, estrangeiros ou homossexuais, por exemplo, é apenas a ponta do iceberg. Em muitos casos, as ideais preconcebidas estão tão enraizadas em nossa mente que é difícil até mesmo percebe-las, já que parecem extremamente apropriadas e naturais. Em outros, estímulos que despertam preconceito são percebidos de forma sutil, como um sotaque que pode despertar desconfianças – simplesmente porque evidencia que o interlocutor vem de outra cultura.

Obs. Artigo publicado na revista mente/cérebro de outubro de 2012 que eu achei de interesse para o publico GLBR.  

domingo, 16 de dezembro de 2012

Prurido anal: Organograma das causas e tratamento.


Prurido anal: Organograma das causas.
Planos de saúde: Trazendo a carteira do seu plano de saúde, terá um desconto nas consultas e procedimentos realizados pelo Dr Paulo Branco


1- Doenças anorretais:
 Fissura, fistula, proctite, prolapso retal, hemorroidas, pólipos e disfunção do musculo esfíncter anal com incontinência geralmente leve.

2- Infecciosas:
Candidíase ( Fungo), condiloma ( HPV), parasitas ( Oxiúros) e escabiose.

3- Dermatológicas:
Psoríase, seborreia, Dermatite de contato, liquem plano, liquem escleroso.

4- Causas locais:
Umidade em excesso
Má higiene ou incompleta
Uso de papel higiênico
Diabetes
Tumores
Fissura anal
Fístula anal
Infecções
Insuficiência do Fígado

Tratamento:
O tratamento geralmente será dirigido para a causa do prurido, e de um modo geral:
1-       Os meus pacientes recebem uma apostila com orientações para algumas mudanças alimentares, comportamentais e no estilo de vida. Eu sempre falo que as doenças anais começam por uma alimentação errada, como por exemplo uma baixa ingestão de fibras.
2- Pomadas adequadas quando se trata de um agente  infeccioso como a cândida por exemplo.

3- Cirurgia com laser:
      Para doenças como as verrugas do HPV, hemorroidas que prolapsam, fistulas e fissuras crônicas faço o tratamento com o laser.

Comentário: Dr. Paulo Branco
Para essas doenças proctologicas não adianta ficar passando pomadas como se fosse tratar um fungo,  porque são doenças de tratamento cirúrgico e os pacientes ficam profundamente agradecidos pelo retorna a uma boa qualidade de vida. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

HOMOSSEXUALISMO, POR QUE?


HOMOSSEXUALIDADE, POR QUE?
Medico: Dr Paulo Branco
www.medicinaintegrad.med.br
 A resposta, em Michel Foucault que critica a redução da homossexualidade a seus aspectos biológicos – cheia de preconceitos e aborda a necessidade de luta por causas para além do modelo heteronormativo.
Com o aumento do espaço na mídia, no mercado consumidor e até de decisões inusitadas da justiça, surgem duvidas que ficam no ar: porque existem homossexuais? Trata-se de um modismo, ou de uma condição biológica?

O francês, Michel Foucault, sabidamente homossexual, tentou esmiuçar o tema e, em sua tese, versa sobre essas perguntas. Ele refuta veementemente a possibilidade de se abordar a homossexualidade sob um ponto de vista biológico, ideia compartilhada antes por Freud, pois derivaria daí um maior preconceito, já que se podia classificar como uma doença ou defeito genético e/ou algo que se pudesse curar. Neste artigo veremos como Foucault diferencia os termos homossexual de gay, atribuindo caráter militante e político ao segundo.

O surgimento dos homossexuais:
Mesmo que você não seja homossexual, quase com certeza conhece ou convive com um. E, independentemente de qual seja a sua postura diante dessa pessoa, você provavelmente já parou para pensar: Porque existem homossexuais? Ou, se você mesmo tiver desejos homoeróticos, já deve ter apercebido imenso no pensamento especulativo Por que sou assim?. Respostas e argumentos não faltam, desde os mais esotéricos até os científicos. Tais argumentos não eram nada satisfatório para o filosofo francês Michel Foucault. Para ele, tudo que se diz sobre as supostas causas da homossexualidade, é de uma simplicidade ingênua. Sobre isso, ele levanta importantes questões: o que está por trás desta vontade de sabe, desta busca incessante. A maior parte de seus questionamentos sobre o tema se encontra Ditos e Escritos em A historia da sexualidade.
Foucault é eventualmente mal compreendido e, em geral, os erros de leitura em relação à sua obra decorrem de recortes malfeitos daquilo que ele efetivamente disse. Um dos pontos em que se instaura a má compreensão está na critica que o filosofo faz em relação a alguns pontos dos movimentos de liberação gay. O que ele critica não é a afirmação do desejo homoerótico, o que seria estranho, posto que ele mesmo tinha orientação homossexual. O perigo, segundo Foucault, é a afirmação deste desejo a partir de argumentos biológicos e naturalistas, ou seja, a conversão de desejo em identidade biologicamente determinada.
Em uma entrevista realizada em Toronto, Foucault diz: O que eu quis dizer é que, na minha opinião, o movimento homossexual hoje precisa mais de uma arte de viver do que de uma Ciência ou de um conhecimento cientifico ( ou pseudocientífico ) daquilo que é a sexualidade. Em síntese: Segundo Foucault, muitos homossexuais estão por demais paralisados na busca contínua por algo que explique a causa de seus desejos, no lugar de viverem estes desejos.

BIOLOGISMO HOMOSSEXUAL
O posicionamento cauteloso diante das causas da homossexualidade irrita principalmente algumas correntes militantes, que preferem apregoar o determinismo biológico como uma forma de convencer que a homossexualidade é natural isso deveria ser evidente, pois o que não falta na natureza são exemplos de relações homossexuais entre animais. Além disso, o argumento que contesta a homossexualidade a partir da natureza é falho pois, se fossemos seguir firmemente o que é natural, não forçaríamos a existência da monogamia e, convenhamos, sequer vestiríamos roupas.
O que alguns militantes não percebem é que a defesa do desejo homossexual como uma identidade biologicamente determinada pode ser combustível perfeito justamente para os HOMOFOBICOS. Afinal, se provamos que o desejo homossexual é fruto de singularidades físicas, tudo isso poderia ser tratado por terapêuticas, do mesmo modo que corrigimos a miopia ou outra singularidade fisiológica incômoda. Foucault, mais de uma vez, apontou para o fato de que a vida é uma escolha entre perigos e que não existe um caminho ideal, mas sim riscos mais ou menos administráveis. Apostar num determinismo biológico que, por si só, seja fundamentado para o desejo homoerótico é um perigo, pois não implica necessariamente em aceitação – os homofóbicos podem argumentar que tal condição seria uma doença, uma aberração medicamente tratável. Foucault critica, em primeiro lugar, a falácia da causa única, seja ela qual for, física ou psicológica; em segundo lugar, os perigos decorrentes da abordagem da homossexualidade como uma doença biológica passível de tratamento. Neste sentido, podemos observar ao menos uma interseção entre Foucault e Sigmund Freud, não obstante as discordâncias em outras esféricas. Freud também era contrário a idéia da causa única, muito embora se pense – equivocadamente – que o pai da psicanalise tentava explicar a homossexualidade a partir do problema de um pai ausente e uma mãe dominadora, sempre. A leitura dos Três Ensaios Sobre  a Teoria da sexualidade, publicado pela primeira vez em 1908, mostra o que Freud efetivamente disse:
Nem a hipótese de que a inversão é inata, nem tampouco a conjectura alternativa de que é adquirida explicam sua natureza. No primeiro caso, é preciso dizer o que há nela de inato, para que não se concorde com a explicação rudimentar de que a pessoa traz consigo, em caráter inato, o vínculo da pulsão sexual com determinado objeto sexual. No outro caso, cabe perguntar se as múltiplas influências acidentais bastariam para explicar a aquisição da inversão, sem necessidade de que algo no individuo fosse ao encontro delas. A negação deste último fator, segundo nossas colocações anteriores, é inadmissível.

A CIÊNCIA A SERVIÇO DE IDEOLOGIAS POLITICAS
A investigação histórica deixa claro o quanto alguns discursos científicos se encontram atrelados a ideologias especificas, inviabilizando uma suposta pureza e tornando a ciência um instrumento a serviço de grupos particulares. Nestes casos, não haveria uma relação excludente entre a ciência e ideologia; haveria, isso sim, uma retroalimentação. Se é possível uma ciência de fato pura e isenta de ideologias, isso é assunto para muita discussão – em outro artigo.
No que tange aos homossexuais, só o fato de nos referirmos a um desejo ( gostar do mesmo sexo ) como uma identidade ( ser algo) já conduz a interpretações equivocadas, a partir das quais se infere que existem comportamentos comuns, características de personalidade, destinos específicos ligados a uma essência homossexual. Seja na forma de criticas ( homossexuais são mais promíscuos e traem mais ), seja na forma de elogios ( homossexuais são mais sensíveis e inteligentes do que heterossexuais ), vejo o que está implicado neste discurso: A ideia de uma essência inata, a ideia de uma especificidade biologicamente determinada que torna todos os desejantes do mesmo sexo como fazendo parte de um subconjunto modelar. Até mesmo entre alguns grupos de militantes gays contemporâneos, o mais importante parece ser a afirmação de uma identidade ( eu sou gay ) do que as implicações do desejo ( o que eu desejo? Como posso experimentar a vida a partir dos meus desejos ) e, assim, deixam-se de buscar as diferenças que singularizam ( no que eu, gay difiro dos outros gays). Evoca-se que as pessoas saiam dos armários como uma obrigatoriedade ideológica. O homem homossexual que não se declara é tido como covarde e mentiroso, pois o desejo deve ser tornado público e posto a serviço de uma ideologia.
Nas situações confessionais ( desde a confissão sacerdotal até a Psicanálise ), o sujeito desejante produz um discurso sobre sua própria sexualidade, que será consequentemente interpretado por um sujeito suposto saber, uma autoridade. Ocorre que para Foucault, a verdade velada neste processo não se trata de uma descoberta, e sim de uma produção. Trata-se de um espaço de veridição, ou seja, de construção de um discurso que estará vinculado a uma ideologia e a interesses que estão além do sujeito desejante, incluindo este sujeito e dissolvendo toda a sua singularidade num conjunto de universais que ajustam as pessoas a um todo que confirma – e na verdade constrói – uma identidade.

O SURGIMENTO DO HOMOSSEXUAL
Um dos pontos  mas provocativos da obra de Foucault está e sua afirmação de que o homossexual enquanto categoria tem data de nascimento: 1870, com o artigo de Carl Westphal. ( 1833 -1890 ) As sensações Sexuais Contrarias. Aqui, é importante salientar o que Foucalult não disse,a fim de dirimir eventuais mal entendidos: Ao dizer que o homossexual tem data de nascimento, isto não significa que homens não faziam sexo com homens antes de 1870. A diferença fundamental é que , a partir do século XIX, o discurso vigente falava a respeito de “ uma espécie “, “uma categoria “de criaturas a quem chamamos de o homossexual. Antes de 1870 havia a recriminação contra atos homossexuais, mas supostamente não se aventava que existisse algo como o homossexual substantivo. Um individuo que praticasse o coito homoerótico não era rotulado como pertencente a uma subclasse especifica da humanidade, e bastava a ele que  - após o ato confessional – se redimisse a partir de algumas praticas que o “ purificavam do ato. O sujeito não era algo, ele tinha feito algo. O investimento das instituições de poder vigentes ( a Igreja, mas especificamente ) nesta direção se limitava a prescrever orações como forma de redenção contra o ato dito “pecaminoso “ ( embora nos séculos XVI e XVII muitos tenham sido mortos pela inquisição, por conta da pratica homossexual ). A partir de 1870, ocorre uma mudança de paradigma, nasce o conceito de “o homossexual “, uma entidade singular essencialmente determinada, alguém com uma diferenciação de desejo que abarcava toda a inteireza do seu ser.
Quando Foucault afirma que “o homossexual” é construído, ele não está afirmando que as pessoas se tornam homossexuais por conta de influências ambientais. O fato é que se descobrir desejando o mesmo sexo a partir da década de 1870 passou a ter uma implicação diferenciada: o sujeito não estava apenas tendo um desejo, mas ele se descobria parte de um subconjunto da humanidade. Esta marca, este estigma, recaía sobre o sujeito como um ferro de marcar gado. Afinal, ele pertencia a uma classe que havia se tornado alvo de estudo cientifico. Não era ele quem dizia de si, de seu desejo, e sim as autoridades.
O começo do século XX foi marcado pelo surgimento de diversas “ tecnologias do sexo e “ ciências da sexualidade “  , que se encontravam assaz comprometidas com o objetivo de preservar e promover a força laboral produtiva e procriadora, servidora de um sistema capitalista em desenvolvimento cujo centro fundamental  era a família burguesa. Deste modo, homossexuais evidentemente incomodavam por constituírem uma anomalia no sistema que exigia a procriação. O homossexual foi transformado numa espécie ameaçadora da máquina – como se uma minoria que não se reproduz ao praticar sexo fosse realmente induzir a humanidade à extinção!
Com a psiquiatrização da homossexualidade no fim do século XIX, surgiu o pensamento equivocado de que tudo no homossexual se resume ao sexo, ele está imerso em sua própria sexualidade e, deste modo, as identidades são construídas a partir desta crença. Tudo se resume a este pequeno detalhe. Conforme diz Foucault:
O homossexual do século XIX torna-se um personagem: um passado, uma história, uma infância, um caráter, uma forma de vida: também é morfologia, com uma anatomia indiscreta e, talvez, uma fisiologia misteriosa. Nada daquilo que ele é, no fim das contas, escapa a sua sexualidade. Ela está presente nele todo: subjacente a todas as suas condutas, já que ele é o princípio insidioso e infinitamente ativo das mesmas; inscrita sem pudor na sua face e no seu corpo já que é um segredo que se trai sempre.
Foucault não nega eventuais indícios biológicos para as preferências sexuais. Ele jamais afirma que não existe um fator biológico;  o que ele rejeita é a militância patada e justificada na biologia. A questão é; a que serve este conhecimento? Com qual ideologia ela está implicada? São perguntas que não permitem uma atitude ingênua.
No inicio dos anos 1980 e até sua morte, Foucault irá declarar – em mais de uma ocasião – que a grande questão não é descobrir-se gay, e sim tornar-se gay. Este é outro posicionamento mal compreendido em seu discurso. Ele não está dizendo que todos deveriam ser homossexuais, até porque para Foucault, “homossexual “e gay “não são sinônimos. É preciso, neste ponto do texto, diferenciar o termo “gay”de “homossexual” pois, apesar de aparentarem relação de sinonímia, possuem uma notável diferenciação histórica.

Homossexual versus gay
 Homossexual, conforme já vimos, é um termo que surge no contexto do final do século XIX, e ilustra uma suposta categoria de indivíduos portadores de uma doença debilitante. A construção conceitual “colou” com tamanha força, que apenas no final do século XX a homossexualidade foi retirada do rol de distúrbios listados pelo Catalogo Internacional de Doenças. Até a década de 1960, homossexual foi o termo utilizado, carregado de implicações médicas, legais e psicológicas.
Mas, nos anos 1960, paulatinamente alguns homens e mulheres passaram a se referir a si mesmos como gays, do inglês “alegre”, o que provocou consternação em muitas pessoas de sexualidade dita “normal”, uma vez que um vocábulo comum tinha sido sequestrado por um assim dito “grupo pervertido”. A diferença mais substancial entre os termos gay e homossexual está no fato e que, enquanto a categoria homossexual era um objeto de conhecimento das biociências, os gays eram um grupo específico que afirmava ostensivamente um posicionamento politico. Um grupo que lutava por seus direitos, pela descriminação, um grupo que lutava em prol do respeito as diferenças.  “Ser gay”, portanto, seria questão de orgulho, e não de patologia. Seria uma postura de resistência contra as normatividades, uma resistência na qual o sujeito, dizendo-se gay, está a dizer, sou feliz desejando o que desejo, e não me sinto mal por isso. Do mesmo modo que os movimentos feministas conquistaram espaço para as mulheres ao longo dos mesmos anos 1960, os movimentos gays se negaram a assumir para si a representação a representação de sujeitos portadores de uma patologia. A partir deste ponto de vista, nem toda pessoa que deseja o próprio sexo é gay. Ela é alguém que deseja o próprio sexo, e apenas isso: um homossexual. Mas ser gay é uma conquista pessoal, é assumir uma postura politica, é lutar por um mundo em que as diferenças são respeitadas. Para Foucault, nem todo homossexual é gay, e não o será enquanto permanecer paralisado em sentimentos de culpa e submisso a um discurso patológico.
Ao longo de Ditos e Escritos, Foucault aponta para o fato de que é preciso procurar ser gay, ou seja, assumir uma postura ativista, militante, que luta por um lugar ao sol. Mais do que simplesmente copiar os modelos heteronormativos, “ser gay”, segundo Foucault, é se aproveitar de sua diferença a fim de criar novas formas de relação, inventar novos estilos de vida. Ser gay não se resumiria, portanto, a batalhar por uma inserção no estado vigente das coisas, e sim uma forma de alterar este estado vigente. O filósofo, em momento algum, pretende limitar sua abordagem à conquista de direitos existentes, como o direito ao casamento entre homossexuais, mas como uma militância sem fim, que vai além do que existe atualmente. Sobre a questão do casamento gay, por exemplo, Foucault reconhece que tal conquista é importante, mas que limitar a luta à mera reprodução do modelo conjugal heteronormativo seria um empobrecimento, uma perda de oportunidade de realizar mudanças significativas. O que ele propõe é algo muito mas revolucionário  do que muitos militantes gays poderiam sequer aventar: a utilização da própria condição marginal como uma forma de não apenas ser aceito pela sociedade, mas como uma forma de transformar a estrutura da sociedade.
Todo programa de invenção deveria ser aberto, segundo o filósofo. Em sua entrevista intitulada A amizade como modo de Vida, ele deixa claro que todo programa deve ser vazio. Recusando-se a prescrever o futuro e a assumir o papel de “guru gay “’, ele também exprimia diversas reticências em relação aos partidos políticos, salientando a importância de movimentações espontâneas, não necessariamente ligadas as governo: Desde o século XIX, as grandes instituições politicas e os grandes partidos políticos confiscaram o processo de criação politica; quero dizer por ai que eles tentaram dar a criação politica a forma de um programa politico, a fim de se apoderar do poder. Penso que se deve preservar o que aconteceu nos anos 1960 e no início dos anos 1970. Uma das coisas que é preciso preservar, na minha opinião, é a existência, fora dos grandes partidos políticos, e fora do programa normal ou ordinário, de uma certa forma de inovação politica, de criação politica e de experimentação politica. É um fato que a vida cotidiana das pessoas mudou muito entre o início dos anos 1960 e agora, e minha própria vida mostra isso. É evidente que não devemos essa mudança aos partidos políticos, mas a numerosos movimentos. Esses movimentos sociais de fato transformaram nossas vidas, nossas mentalidades e nossas atitudes, assim como as atitudes e mentalidades de outras pessoas – pessoas que não pertenciam a esses movimentos.
Por fim, por mais que o gênero pareça ser um componente fundamental de nossas identidades, sejam elas gays ou heteros, nós somos muito mais do que nossos gostos sexuais – e é curioso notar como, em termos de gostos, o desejo sexual parece ter tanta importância em nosso mundo, a ponto de ninguém pensar em definir ou se rotular porque gosta, por exemplo, de comer ostras ao vinho ou beber suco de manga. As palavras que usamos e os pensamentos que fomentamos definem as coisas que somos, como uma construção continua da realidade, que será mais ou menos rica a depender de nossa militância individual em prol de um mundo mais rico em termos de possibilidades relacionais. Um mundo em que as diferenças são respeitadas, ainda que não inteiramente compreendidas. A bandeira do arco-íris, deste modo, seria mais do que a representação de um desejo sexual. Seria a representação daquilo que vem após as tempestades, um sinal de aliança e de coexistência possível das diferentes cores, num mundo que viabilize o encontro e a amizade entre as pessoas.
Editorial: Escrito na revista filosofia e que acho uma leitura obrigatória para o publico GLBTS